13 de dezembro de 2025 – Teto plúmbeo
13 de dezembro de 2025 – Teto plúmbeo
Estamos
próximos de mais uma mudança de estação climática. E a percepção do tempo
acelerado nos persegue cada dia mais de forma intensa. Mais ainda nos
quadrantes das estações climáticas que por estas bandas pouco ou nada muda paisagisticamente.
Só a luz natural que por estes dias demora mais a aparecer. Há ainda uma repetição
dos dias semi nublados e quase iguais. Mais hoje não. Há um teto plúmbeo
que resolveu dá as caras no dia de hoje. E choveu. Nem bem sei se classificaria
aquele espirro de São Pedro como chuva propriamente dita. Eu estou sempre na
rua. Religiosamente antes da aurora, quer ela seja mais tarde ou não. Os locatários
das ruas estão marcando espaço e eu também o faço de forma nômade. Aqui e
alhures e as vezes até repetindo a locação de espaço. Hoje é dia de música,
encontros políticos e tertúlias etílicas. É sábado e é aniversário de Adélia
Luzia Prado de Freitas. É dia também de Santa Lúcia ou Santa Luzia. E eu como
católico folclórico e de fé sutil, faço minhas orações em prol de minha
combalida vista.
Ainda
na rua, capturo as cenas e divago tudo aquelas cenas e personas que são
capturados por meus sofríveis olhos. Cumprimento alegremente quem não quer
falar comigo e ainda forçosamente, cumprimento pessoas as quais nem queria ter
cruzado por meu caminho. Passo por duas vezes por uma rua na qual fico na
dúvida se quem lá estava era a moça da loja de secos e molhados. Minha gasta
visão não permitiu afirmar com convicção se ali era ela mesmo. Mas como ela não
tem me dado muita bola ultimamente eu não fui apurar a fundo se lá era ela
mesmo ou se o desejo instintivo de a ver me fez crer que ali era ela.
Agora estando
em minha casa, faço um caótico planejamento do que farei no dia de hoje. Jaz
sobre minha escrivaninha um livro que comprei e que recebi na tarde ontem. O
compêndio me foi entregue pela ainda estatal, empresa de correios e telégrafos (será
que alguém chama esta empresa assim?!). O conteúdo do panfleto recebido servirá
para engrossar meu repertório discursivo nas lides em defesa de nossa
categoria/classe trabalhadora. Tempo. Tempo. Findo meu planisfério dos
episódios próximos e sei que a maioria das coisas que planejei serão executadas
de forma totalmente diferente do planejado. “ É
sábado, é tarde, é túrgida minha bexiga feminina
e por isso vai ser menos belo que eu me levante e a esvazie”. Preciso destes
versos de Adélia Prado para aquietar meu espírito de sedução e fartura.
